Parece que a banca está a passar uma
grave crise. Pelo menos foi isso que há umas semanas os líderes dos maiores grupos financeiros portugueses vieram dizer. Não é isso, contudo, que indicam os lucros obtidos por esses grupos. Até os que tinham uma administração que demonstrou uma incompetência de dimensões bíblicas. Já os impostos dizem que sim. De facto o ano passado
a banca pagou menos impostos porque está em crise. O aumento dos juros e dos spreads dos créditos também são provas que os bancos estão á beira da falência.
Nos anos 90 era o consumo fácil e o capitalismo popular, nos anos 2000 temos a crise. É uma crise que não é, porque adquiriu um carácter permanente. Ou quererão designar por crise as novas formas de transferência de riqueza dos produtores para os inúteis e a acumulação capitalista, ou o engenhoso processo pelo qual fazem as populações pagar pelos anos de bacanais de especulação, de economia virtual baseada em bits de sistema informáticos e não em sectores produtivos, em suma uma economia de casino. Os bancos centrais, normalmente tão rigorosos a controlar défices de Estados soberanos, jorram hoje torrentes de dinheiro para o sector financeiro, no afã de manter as riquezas e salvar as peles desses homens a quem a Humanidade tanto deve.
Sem duvida que fazem alguma confusão os ritmos de crescimento dos lucros dos bancos de ano para ano. O endividamento das famílias, em todo o Mundo ocidental, é um sintoma claro desses resultados, que nada nem ninguém abrandam. Os nossos economistas, normalmente mostram algum desdém ao falar das famílias dizendo que consomem mais do que podem e que a culpa da situação é exclusivamente delas. Esses mesmos economistas derretem-se ao falar dos empreendedores e empresários (produtivos), dizendo que criam emprego, riqueza e fazem desenvolver o país. O crescimento da actividade económica não é, de perto nem de longe, próximo dos lucros da banca. Os tais economistas não dizem uma única palavra sobre o efeito asfixiador que a banca tem sobre o sector produtivo.
É nestes momentos que o capitalismo expõe de forma mais clara as suas contradições e fragilidades. A maior e mais evidente fragilidade do sistema capitalista é a sua necessidade de um exército enorme de produtores que satisfaçam os caprichos de uma ínfima minoria. Resta saber até quando conseguirá essa minoria dominar o Mundo. Esperemos que não seja muito mais tempo.